Arcádia existencial.
Dobrar o horizonte e guardar na mochila a fim de tê-lo um dia pra mim.
Devolver o horizonte com uns tons de aquarela, com a permissão do Criador.
Virar travesseiro de amorzinho. Comer café tomar pão.
Costurar todos os dias bonitos pra poder vê-los bem de perto.
Viajar numa concha verde, em alto-mar, sem risco de nada.
Inventar teorias, cálculos muito engendrados e dizer que não servem de nada...
Só pela vontade de Ser.
Olhar pra você e enxergar um pedaço de tudo.
A parte pelo todo. Por todos.
Esquecer que tudo perece. Observar a história da lagarta. Seguir seu exemplo.
Virar linda borboleta.
Buscar momentos de dor. Virar flor que nasce-morre no mesmo dia.
Curtir o primeiro e último dia no jardim. Flor que não tem tempo de envaidecer no jardim terrestre. Cresce, se cobre de sol e quiçá de chuva no crepúsculo fenece.
Vida, me empreste tuas notas. Sou o lado terno e doce de uma flauta arcádica que sussura, a procura das notas magistrais que a vida orquestra.



