entenderes
Esparramados em um sofá mil e uma utilidades, conversavam sobre o programa de televisão de uma babá comportamentalista partidária de Skinner, segundo ele.
-- Olha só! Isso é puro comportamentalismo! Parecem ratinhos de laboratório puramente condicionados a ver uma mãe como "rainha" sendo que de fato ela não o é...
Taurinos. Turrões. Teimosos. E tenros...
Até que ela argumentou:
-- Poxa, ela tá tentando ajudar, meu. Fazer com que eles tenham mais integração. Olha só essas figurinhas esclarecedoras, crianças a-d-o-r-a-m isso!
Ele continuou firme.
Ela continuou, depois de uma pensada:
-- Eu gosto de mudanças...é bom de vez em quando.
E, de fato, eu gosto. Mudanças que me façam doer de alegria, de preferência ou pelo menos me tragam a idéia de algo conquistado, como aquela mordida na fruta carnuda e suculenta, que dá a sensação de ganho na vida.
E então ele perguntou:
-- Já acabou de comer?
-- Já.
-- Vou guardar então...
-- Deixa que te ajudo..
-- Precisa não.
Não sei porque já senti coisa no ar. Conversa de amados se pega no ar. Até o cheiro quando tá queimando e parece que a TNT vai ficar na tua mão. Se pega no sopro das palavras, no espaço entre uma e outra.
Esperei ele voltar. Perguntei em qual lugar guardava a torrada, depois daquela sopa deliciosa que tomamos.
-- Ah, deixa aí no microondas.
De novo, estranheza. Eu é que grilei de vez, ele se fechou.
Semi-sentados puxei uma conversa. Nada. Falei da TV. Nada. Pensei em desligá-la e por fim depois de tanto rebuliço meu pra ver se chacoalhava aquele homem, ele disse:
-- Deixa eu quietinho, ué. Me deu uns cinco minutos agora...Você também não tem os seus?
Pensei comigo que sim. Mas ora, quando são os meus cinco minutos tá tudo bem né... Partiu até uma sensação de egoísmo sim, sem malícia, mas veio. Olhei pra ele e vi um rosto preocupado com algo que só quem conhece sente. Tentei ler seu rosto e só vi uma indiferença que começava a ruir em mim. Os contatos cessaram e eu no aguardo. Sabia que possivelmente foi algo que eu tinha dito e, que, geralmente abstraio.
Depois dos seus minutos reflexivos ele disse:
-- O que que eu posso fazer pra mudar tododia, hein? Onde eu vou arranjar tanta criatividade? (Isso porque há vinte minutos antes, ele havia dito que era criativo)
-- Não acredito! Não pode ser que você tá pensando naquela frase ainda???
-- Não, mas não precisa ficar assim. Eu sei que é Seu jeito. Eu é que tenho que entender. Acontece que não sou assim. Eu tenho medo de que você mude de mim também...
Temia que a minha frase fosse mal-interpretada justamente por não ter sido restringida a algumas ocasiões em que a mudança é bem-vinda. E esse não era o caso. Eu também quero que o meu refúgio seja ali, sempre -- porque essa palavra não tem fim.
E depois do momento elucidativo, paramos e nos olhamos e fitamos nossos medos. Ele lançou o seu logo de cara e eu, depois, empurrei os meus. Nesse entrelaçamento ficamos: olhos, medos, rios, abraços -- é o nosso jeito de se entender.
-- Olha só! Isso é puro comportamentalismo! Parecem ratinhos de laboratório puramente condicionados a ver uma mãe como "rainha" sendo que de fato ela não o é...
Taurinos. Turrões. Teimosos. E tenros...
Até que ela argumentou:
-- Poxa, ela tá tentando ajudar, meu. Fazer com que eles tenham mais integração. Olha só essas figurinhas esclarecedoras, crianças a-d-o-r-a-m isso!
Ele continuou firme.
Ela continuou, depois de uma pensada:
-- Eu gosto de mudanças...é bom de vez em quando.
E, de fato, eu gosto. Mudanças que me façam doer de alegria, de preferência ou pelo menos me tragam a idéia de algo conquistado, como aquela mordida na fruta carnuda e suculenta, que dá a sensação de ganho na vida.
E então ele perguntou:
-- Já acabou de comer?
-- Já.
-- Vou guardar então...
-- Deixa que te ajudo..
-- Precisa não.
Não sei porque já senti coisa no ar. Conversa de amados se pega no ar. Até o cheiro quando tá queimando e parece que a TNT vai ficar na tua mão. Se pega no sopro das palavras, no espaço entre uma e outra.
Esperei ele voltar. Perguntei em qual lugar guardava a torrada, depois daquela sopa deliciosa que tomamos.
-- Ah, deixa aí no microondas.
De novo, estranheza. Eu é que grilei de vez, ele se fechou.
Semi-sentados puxei uma conversa. Nada. Falei da TV. Nada. Pensei em desligá-la e por fim depois de tanto rebuliço meu pra ver se chacoalhava aquele homem, ele disse:
-- Deixa eu quietinho, ué. Me deu uns cinco minutos agora...Você também não tem os seus?
Pensei comigo que sim. Mas ora, quando são os meus cinco minutos tá tudo bem né... Partiu até uma sensação de egoísmo sim, sem malícia, mas veio. Olhei pra ele e vi um rosto preocupado com algo que só quem conhece sente. Tentei ler seu rosto e só vi uma indiferença que começava a ruir em mim. Os contatos cessaram e eu no aguardo. Sabia que possivelmente foi algo que eu tinha dito e, que, geralmente abstraio.
Depois dos seus minutos reflexivos ele disse:
-- O que que eu posso fazer pra mudar tododia, hein? Onde eu vou arranjar tanta criatividade? (Isso porque há vinte minutos antes, ele havia dito que era criativo)
-- Não acredito! Não pode ser que você tá pensando naquela frase ainda???
-- Não, mas não precisa ficar assim. Eu sei que é Seu jeito. Eu é que tenho que entender. Acontece que não sou assim. Eu tenho medo de que você mude de mim também...
Temia que a minha frase fosse mal-interpretada justamente por não ter sido restringida a algumas ocasiões em que a mudança é bem-vinda. E esse não era o caso. Eu também quero que o meu refúgio seja ali, sempre -- porque essa palavra não tem fim.
E depois do momento elucidativo, paramos e nos olhamos e fitamos nossos medos. Ele lançou o seu logo de cara e eu, depois, empurrei os meus. Nesse entrelaçamento ficamos: olhos, medos, rios, abraços -- é o nosso jeito de se entender.

