sábado, 11 de agosto de 2007

Divã?

É só o que sei: era o último quarto. Ele abriu a porta para eu ver o cômodo. Tentativa demorada mas com sucesso. Era um quarto diferente. Estava com um pouco de luz, uma luz amarelada quase nula. Senti o cheiro do lugar- puro mofo. Cheiro de armário com traças, inacabado, cama clara. Um criado-mudo com espelho à frente. Havia um banquinho em frente ao móvel. Tudo tão simplório, tão cor de madeira, tão apagado. Por que será que eu entrei lá?
Dei uma primeira passada adentro. Era o primeiro em que eu entrava. Os demais não me atraíram tanto quanto esse. Será porque esse necessitava de cuidados? - Lá vai ela querer dar uma de samaritana...- Entrei, mas logo me detive e passei a observar o quarto: cama de casal com lençol, cama feita, simples-simples. Ao lado aquele móvel que me atrai subitamente, um divã. Era de um couro sintético com uma pequena elevação, com uma almofada em forma de cilindro. Eu só sei que olhei para aquele móvel com tanto carinho, de uma forma estranhamente maternal e fitei-o deslumbrada, me perguntando interiormente: Mas e esse divã?
O rapaz não sabia de minha pergunta, mas prontamente vendo que em mim havia surgido um ponto de indagação, um X muito latente, um por quê que doía nos meus olhos, fitou-me e disse : "Mas isso não significa só a morte". Virei meu rosto em sua direção, depois do vislumbre com o objeto. Nada mais pude compreender, ele nada mais disse também. Renasço em mim.

CMC

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