domingo, 15 de julho de 2007

Instante

Violentamente a felicidade tomou conta do seu corpo. Ela já não era a mesma. O seu corpo já não a obedecia. Sentia, só sentia.

Arrepios involuntários corriam por sua pele alva e cada pêlo eriçado continha um resquício de tempo vivido. As suas pernas ficaram paralisadas ao sentir esse calafrio doloroso, que percorria todo o seu corpo e fazia o seu coração paradoxalmente mais sereno. Ali estava fincada uma certeza de que tudo dará certo, tudo o quê? Ora, tudo! Tudo.

A experiência desse momento era tudo, tudo o que podia sentir ou mesmo temer por desconhecer. Mas isso não era temor. Naquele pedaço de ser humano, naquela epiderme, acontecia um ritual de coisa resolvida, de verdade pressentida, de realização antecipada. Nesse instante, ela era a mulher na qual a felicidade tinha escolhido morar. Era ainda um estágio de alquimia, pura experimentação em corpo humano e frágil, porém inquieta e animada pela percepção desse átimo sensorial.

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